Max Brooks tornou-se uma verdadeira autoridade sobre zumbis após escrever este livro – e não é para menos. Não só empregou todo seu conhecimento sobre o tema, como também pesquisou exaustivamente muitos dos detalhes. Nada nesta obra é escrito por acaso, e absolutamente nenhuma outra vai informá-lo melhor do que esta – ao menos por enquanto.

“O Guia de Sobrevivência a Zumbis” (ou “The Zombie Survival Guide” no original em inglês), lançado em português pela Editora Rocco, possui pouco mais que 270 páginas carregadas de informações importantíssimas que irão treiná-lo sob todos os aspectos para a inevitável tragédia. O livro informa sobre absolutamente tudo: desde medidas que você pode tomar desde já até a readaptação da civilização após os anos de caos e devastação que o Apocalipse Zumbi trará ao mundo.

 

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O guia é dividido em 7 capítulos:

  • “Os Mortos-Vivos: Mitos e Realidades” – Trata-se de um tutorial sobre o comportamento dos zumbis, trazendo informações sobre a contaminação inicial, como estes movem-se e atacam e como podem transmitir a infecção para outros humanos. Na realidade criada por Brooks, o agente virótico causador da infecção chama-se Solannum (mas já vamos abordar melhor o tema adiante);

 

  • “Armas e Técnicas de Combate” – Esta é uma detalhada e importante enciclopédia que vai ensinar ao sobrevivente quais armas deve carregar consigo para defender-se dos mortos-vivos, bem como quais deve descartar sem pensar duas vezes. O compêndio aprofunda-se na questão das armas brancas e de fogo, comparando diversos tipos, fazendo análises sobre suas principais características e ainda ensinado boas técnicas para o uso destas armas. Por fim, o capítulo também o auxilia na escolha dos seus itens de defesa, como o uso de armaduras, seus diferentes tipos, qualidades e pontos negativos;

 

  • “Na Defesa” – Pode ser considerado o ponto vital do livro, já que é aqui onde você encontrará informações de bons lugares que podem ser escolhidos como abrigo contra os zumbis. Escolhendo um destes, ou mesmo ficando em sua própria casa, este capítulo ainda o ensinará como aumentar as defesas e proteções do local, tornando-o uma verdadeira fortaleza segura;

 

  • “A Fuga” – Aqui o leitor é alertado sobre detalhes que um sobrevivente iniciante dificilmente conhecerá ao início do caos: como viajar de um lugar para outro durante um Apocalipse Zumbi. Qual meio de transporte é mais indicado? Quais as melhores rotas? Qual o melhor período do dia para viajar? E o talvez o mais importante – o que realmente devo levar comigo? Estas dicas também o prepararão no caso de seu abrigo ser invadido e uma fuga de emergência for necessária;

 

  •  “O Ataque” – Detalha melhor um tema que já foi iniciado no capítulo “Armas e Técnicas de Combate”como partir para a ofensiva contra os mortos-vivos. O livro sempre o recomenda a evitar o combate corpo-a-corpo, mas reconhece que haverá momentos – senão muitos deles – em que isto será inevitável. Boas técnicas de como, quando e onde atacar utilizando tanto armas brancas quanto de fogo – isto enquanto mantêm-se relativamente à salvo – são ensinadas aqui.

 

  • “Vivendo em um Mundo de Mortos-Vivos” – O prepara para o mais improvável cenário, porém não impossível: como viver em um mundo completamente dominado por zumbis. Pois se a infecção for rápida e nenhum governo conseguir encontrar um meio eficiente de exterminar os mortos que vão erguendo-se – além de, á claro, compartilhar tal informação com os governos de outros países – logo a raça humana será completamente subjugada. E se isto de fato acontecer? E se o mundo como o conhecíamos for-se para sempre? E se a civilização tiver de reinverta-se? Este compêndio contêm informações valiosas para este catastrófico desfecho;

 

  • “Ataques Registrados” – Este é o último capítulo da obra, e falaremos dele mais adiante.

 

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Para melhor ilustrar a infecção zumbi, Brooks criou um vírus com efeitos catastróficos e, por sorte, ainda fictícios: o Solannum. Com características muito semelhantes ao vírus criado pela infame Umbrella Corp., de Resident Evil, o Solannum pode matar 100% de seus infectados, reanimando-os pouco tempo depois como mortos-vivos canibais. Sua capacidade de infecção é quase absoluta, podendo ser transmitido por mordidas ou arranhões de um infectado, ou ainda pela ingestão, contato pelos olhos, genitais ou feridas abertas com fluídos corpóreos de um deles. A infecção causa a morte da vítima, mesmo que em plena saúde, em questão de horas.

Porém uma característica que difere o Solannum do famigerado “T-Vírus” é sua origem: Sendo completamente improvável que tenha sido um agente criado em laboratório, ainda é incerto se este é a evolução de algum vírus já existente ou o estouro de um completamente novo para a ciência de hoje. Fato é que o Solannum – no mundo de Brooks – já existe á milênios.

E isto torna-se claro em “Ataques Registrados”, presente ao final do livro. Estes relatos (fictícios) registram infestações (as famosas outbreaks) de zumbis, com a primeira datando de 60.000 A.C. em Katanda, na África Central. Entre os registros, há dois deles que se passam no Brasil, nas cidades de Maricela e Juruti, ambas no Pará. Os relatos são sempre dispostos no formato de documentário, terminando sempre (ou quase) com o governo da região ou país onde o ataque aconteceu negando e abafando o caso. Com medo de represarias, supostas testemunhas dos acontecidos são lacônicas ao descrevê-los. Muitas ainda calam-se ou mesmo voltam atrás em seus depoimentos, fazendo com que nenhuma “outbreak” torne-se pública ao resto do mundo.

Vamos ilustrar agora algumas das preciosas dicas do livro para que você tenha uma boa idéia da importância de seu conteúdo

 

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“Com a potência e a precisão das bestas modernas, é possível disparar um dardo (flecha da besta) a mais de 400 metros e atravessar o crânio de um zumbi. Esta pequena maravilha vem sendo referida como “a perfeita assassina silenciosa”. Habilidade na pontaria é importante, mas não mais que quando usamos um rifle. Recarregá-la, ainda que demande força e tempo, não deverá ser necessário. A besta é uma arma para longas distâncias, não indicada para o uso contra multidões de inimigos. A curtas distâncias utilize-a contra apenas um único zumbi ou você será cercado e destroçado antes que tenha tempo de preparar um novo dardo. Preferencialmente, utilize esta arma quando viajando em grupo, protegendo seu abrigo ou quando nenhuma arma de fogo com silenciador estiver disponível.”

 

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“Quando usamos uma arma de dano por contusão, o objetivo é esmagar o cérebro do zumbi (lembrando que a única forma de acabar com os zumbis é destruindo-lhes o cérebro). Porém isso não é tão fácil quanto parece – o crânio humano é uma das superfícies mais resistentes da natureza. Portanto é necessário o emprego de uma grande força física para rachá-lo, e muito mais força ainda para estilhaçá-lo. Contudo isto deve ser feito, e em apenas um único e preciso golpe. Errar o alvo ou falhar em atravessar o osso o deixará sem a possibilidade de uma segunda chance. Varas e bastões de madeira, mesmo que carecendo de força para eliminar um zumbi, podem ser usados para golpeá-los e derrubá-los. A arma mais indicada aqui é o pé-de-cabra: resistente, relativamente leve, permite ser usada (ainda que limitadamente) como arma de perfuração com a extremidade reta e pontiaguda e, o mais importante, ainda serve como ferramenta para várias situações que não o combate.”

 

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O retrato acima pode fazê-lo pensar que estes equipamentos são os ideais para o combate contra os mortos vivos, mas isto estaria longe da realidade. Max Brooks nos ensina que bestas são armas para longas distâncias – não havendo a necessidade do uso de um equipamento tão pesado e problemático como esta armadura. E ainda que alguma proteção fosse necessária nestes casos, uma armadura completa feita de placas de metal – embora virtualmente invulnerável contra mordidas e arranhões – o torna pesado limitando assim sua mobilidade, faz com que fique fadigado rapidamente e ainda faz de você um alarme ambulante para os mortos-vivos nas proximidades.

 

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Enquanto embarricado em um abrigo cercado por mortos-vivos, é importante manter-se sempre entretido, seja com alguma tarefa, jogo ou brincadeira – não realizar atividade alguma pode fazer com que você concentre-se nos incessantes gemidos dos zumbis do lado de fora. E isto pode ser fatal já que este som, devido a incessante cadência e de entonação perturbadora, diminui a moral dos refugiados terrivelmente, criando um sentimento angustiante e fortalecendo a idéia de “nunca sairemos daqui vivos”. E lembre-se: o som NUNCA cessará. Portanto dormir também pode ser algo difícil. Para os momentos de descanso, tenha sempre à mão tampões para proteger os ouvidos.

 

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A combinação das duas imagens acima mostra exatamente como você deve viajar – isto se REALMENTE tiver que viajar – durante um Apocalipse Zumbi, seja para procurar um local com mais recursos ou sorrateiramente fugir de uma área que perceba estar ficando cada vez mais repleta de zumbis. 1: Espere a noite para botar o pé na estrada. O sol do dia pode fazê-lo transpirar mais, tornando-o mais fácil para que os mortos-vivos o rastreiem. Além disso, a luz do dia fará sua silhueta mais fácil de ser detectada. 2: Leve pouca bagagem! Apenas uma mochila contendo poucos medicamentos, bandagens, uma pequena quantidade de alimentos e munição moderada para a arma que estará carregando. 3: Se quiser ir mais rápido, seu veículo preferencial será a bicicleta – não consome combustível, quase que completamente  silenciosa e versátil o suficiente para qualquer tipo de terreno. Lembre-se apenas de hidratar-se bem durante o trajeto.

 

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Última dica: Em caso de um Apocalipse Zumbi em escala global, uma residência ou prédio público poderão ser atacados por tempo suficiente até que a manutenção das estruturas torne-se inviável ou impossível. Nestes casos, procure refúgio em uma construção de fato reforçada ou em lugar de difícil acesso. As duas imagens acima ilustram ambos os exemplos: Uma base militar à esquerda e uma plataforma petrolífera à direita. Em uma base militar ainda ativa, temos militares armados e treinados e fortes muralhas para nos proteger do mundo exterior. Em caso do complexo estar abandonado, após uma vistoria completa para extermínio de ameaças nas instalações você ainda terá uma ótima proteção provida pelas estruturas, além de possivelmente possuir a disposição suprimentos (alimentos, medicamentos e munição) em boa ou extraordinária quantidade. Já e uma plataforma em alto mar, temos a elevação e o difícil acesso como principais proteções. O sistema de extração de petróleo, se ainda em funcionamento, também pode providenciar energia. Finalmente, quando os suprimentos esgotarem-se, você ainda contará com o mar para prover-lhe alimento. Importante lembrarmos que Brooks alerta também sobre possíveis pontos negativos destes exemplos, sendo imperativo que você também os aprenda.

E isto é tudo – pelo menos aqui no site. O livro guarda milhões de outras instruções e estratégias que são completamente indispensáveis para o arsenal de um verdadeiro sobrevivencialista. Ainda que algumas das dicas de Brooks possam ser difíceis de serem aplicadas em nosso país, muitas podem ser adaptadas. O mais importante é: Conheça suas opções e tenha um plano “A”, um “B”, um “C” de reserva e um “D” se tudo mais falhar.

Quando o caos começar, informação será sua principal arma!

 

Vinheta de Finalização

 

Geminiano em todos os aspectos, amante do suspense e mistério em todas as formas do entretenimento. Como um bom fã de Stephen King levo em meu coração as palavras de um pistoleiro a procura do seu Katet. "Eu não mato com a arma; Aquele que mata com a arma esqueceu o rosto do pai. Mato com o coração."