Dying Light é um misto de boas ideias. Essencialmente ele não é um jogo original, nem inovador. Pega emprestado várias ideias já executadas em outros jogos (algumas até mais bem executadas em outras franquias), mas é competente no que ele se propõe a fazer.

Harran-dying-lightDying Light é um jogo de sobrevivência, ambientado em uma cidade chamada Harran, que está sob quarentena devido a uma epidemia que transformou a maior parte da população em zumbis. Para evitar que a doença se espalhe pelo mundo, a cidade foi completamente isolada, e os sobreviventes dentro dela abandonados à própria sorte. No entanto, o líder da maior facção da cidade conseguiu roubar documentos importantes, e é aí que se faz necessária a intervenção do protagonista do jogo, um militar que é enviado para a cidade a fim de recuperar tais documentos. E isso de forma secreta, e sem apoio externo ou interno.

Com esse plot, Dying Light começa com um prólogo para que o jogador aprenda como jogar, e se acostume com os controles. E, é importante dizer, os controles são um ponto fraco do jogo, na minha opinião. O mapeamento padrão dos botões do controle é bem diferente do que estamos acostumados quando se tratam de jogos de FPS ou parkour, e particularmente eu não achei os controles tão precisos, especialmente no parkour. Quem já jogou Mirror’s Edge vai sentir a diferença (e saudade da protagonista Faith).

Uma coisa que incomodou bastante, e, a exemplo dos controles, que você acaba se acostumando, foi o menu. Um menu complexo e confuso, que leva certo tempo para se acostumar, mas depois de entender como ele funciona e de pegar prática, acaba ficando tolerável – tolerável, não confortável. Isso poderia ter sido melhor planejado, assim como a resposta dos controles. Faltou um pouco de planejamento, ou polimento, nessas duas questões.

Dying_Light_CoOpO jogo é composto por missões do tipo “vá do ponto A ao ponto B”, ou “entregue item X para pessoa Y no local Z”. E frequentemente a missão muda enquanto o jogador está no meio dela, devido a alguma questão relacionada a estória do jogo. Ele também é de “mundo aberto” (ou, pelo menos, cidade aberta), e oferece uma grande liberdade ao jogador. O cenário é bem amplo, e bem interessante de ser explorado, e algo que torna a coisa mais interessante são as safe-houses desativadas, ou locais seguros que podem ser ativados se o jogador conseguir liberar o local, transformando-o em mais um ponto protegido, onde se fica livre dos ataques de zumbis. Isso faz com que a dinâmica do ambiente mude constantemente, e garante missões extras para a liberação desses locais.

E por falar em dinâmica de ambiente, vamos ao ponto principal do jogo: a dualidade dia/noite. Justificando seu próprio nome, o dia é uma contagem regressiva para a noite, porque é nela que o mundo se transforma num ambiente realmente hostil. O jogador aprende muito rápido o quão letal é estar do lado de fora de um local seguro a noite. Os zumbis ficam mais agressivos, e é nesse momento que surgem outros zumbis, esses com algum tipo de mutação que os torna mortais, e praticamente impossíveis de derrotar. O que o jogador pode fazer é correr, e muito. Não é a toa que a primeira coisa que aprendemos no jogo é a fazer parkour – ele vai ser sua principal arma para sobreviver. Os momentos de pânico, tensão e terror acontecem a noite, onde você é nada menos que a caça, vulnerável e sem tempo para pensar.

Outro ponto que merece ser mencionado são as armas. A exemplo de Dead Island, que é da mesma produtora, as armas aqui são, em sua maioria, improvisadas, e armas de combate corpo-a-corpo (melee). Quem espera pegar armas de fogo e sair atirando na massa ensandecida de zumbis como se estivesse em Left 4 Dead não vai se agradar de Dying Light, pois armas de fogo são caras e raras. A sobrevivência é baseada em pernas de mesa, canos de ferro e chaves inglesas em boa parte do tempo. Uma maneira de fugir um pouco disso são as modificações de armas, que fazem com que elas fiquem mais fortes e diferentes, mas, ainda assim, continuam sendo armas de combate corpo-a-corpo. Sim, eu realmente sinto falta de armas de fogo…

Além das melhorias de armas, o jogo também conta com um sistema de aperfeiçoamento de habilidades, que são conquistados a medida que se pratica determinada atividade. Por exemplo: é possível melhorar suas habilidades no parkour, através de pontos ganhos ao se praticar.. parkour, obviamente. Existem também melhorias no combate e na sobrevivência, cada uma com diferentes tipos de novas habilidades que vão sendo desbloqueadas conforme se vai ganhando XP (experiência). Evoluir essas habilidades dá uma sensação de melhoria contínua, e foi muito bem implementado esse sistema de evoluir aquilo que o jogador está praticando, como na vida real.

E o combate, você deve estar se perguntando? Calma, pequeno gafanhoto, já chegaremos lá. O jogo tem uma curva de aprendizado bem feita, e picos de dificuldade nos momentos certos, te forçando a melhorar, mas dando um tempo para assimilar aos poucos cada uma das dificuldades que iremos enfrentar. De dia, o combate é relativamente tranquilo: os zumbis padrão são lentos e fracos, e extremamente burros, a ponto de se matarem sozinhos em cercas, espetos de metal ou rolando de precipícios. Além deles temos uns brutamontes enormes, esses sim difíceis de derrotar. Mas por serem lentos, são fáceis de escapar, simplesmente desviando e correndo. Logo mais aparecem alguns zumbis que cospem ácido, o que cria um problema quando estão perto de muitos zumbis normais e alguns dos grandalhões, porque eles atiram o ácido a distância, e requer habilidade escapar dos malditos, mas ainda assim nada que exija muito esforço. O problema mesmo é a noite! Não tem como tirar esse mérito do jogo: ele realmente cumpre o que promete. Estar fora do abrigo a noite é algo extremamente tenso. Foi durante a primeira noite nas ruas que eu senti a verdadeira tensão do jogo. Existe um tipo de zumbi-mutante-maligno-invencível-dusinferno que enche a cidade a noite e te coloca em pânico, porque se um deles te ver, começa a te perseguir e chama os outros que estiverem perto pra correrem atrás de você. Ou você está muito bom no parkour, ou então um abraço…

E antes de fechar esse artigo, vale também um comentário sobre os gráficos do jogo. Eu joguei em um Playstation 4, então vou usar ele como base. Os gráficos são bons, competentes, mas eu sinceramente esperava mais de um jogo que foi feito exclusivamente para a nova geração de consoles, e que pede o computador da NASA pra rodar direito no PC. Só a critério de comparação, antes de jogar Dying Light eu estava dando uma olhada em como ficou a versão remasterizada de The Last of Us, e é absurda a diferença entre os dois. TloU já era um jogo extremamente bonito no PS3, rodando a 60FPS no PS4 ficou perfeito. A diferença nas cores, qualidade, texturas, etc é bem drástica comparando com o Dying Light. Eu acho que poderiam ter caprichado um pouco mais nas cores e na fluidez do jogo. Ele passa um aspecto de jogo mais antigo, não de um game recém-lançado para a nova geração. Bom, talvez esse seja um problema dessa geração de consoles como um todo, mas isso é assunto pra outro artigo.

DL-08Bem, acredito que depois de tanto texto, você já deve ter entendido do que se trata Dying Light: é um jogo competente, divertido e viciante. Com 6 horas de jogo eu ainda estava apenas arranhando a superfície, existe conteúdo pra bem mais de 40 horas, calculando por baixo – um amigo meu já tinha passado de 42 horas e ainda tinha muito jogo pela frente. Este é um game que merece ser jogado com calma, aproveitando as missões paralelas para ganhar pontos de experiência a fim de melhorar as habilidades de seu personagem, ir liberando locais seguros para uso futuro – acredite, ajuda MUITO ter um local seguro pra se esconder quando é de noite e você está longe do seu QG – e acompanhar a extensa estória do jogo. Dying Light não é uma revolução, mas com certeza é um ponto alto desta nova geração que carece de bons jogos. Ele é competente o suficiente para prender o interesse do jogador e divertir por horas a fio, como um bom jogo deve ser.

RESULTADO

  • Pontos Positivos?

    • Evolução de habilidades, dinâmica dia e noite.

  • Pontos Negativos?

    • Controles fora do padrão e que atrapalham a jogar, menus confusos.

  • Vale a pena?

    • Sim, Dying Light merece sua atenção, é um jogo competente e que, apesar das falhas, cumpre o que promete. A mistura entre sobrevivência e parkour, e a dinâmica entre dia e noite são muito interessantes e, com certeza, são o ponto alto do jogo.

Geminiano em todos os aspectos, amante do suspense e mistério em todas as formas do entretenimento. Como um bom fã de Stephen King levo em meu coração as palavras de um pistoleiro a procura do seu Katet. "Eu não mato com a arma; Aquele que mata com a arma esqueceu o rosto do pai. Mato com o coração."