Para uma melhor sensação de medo, dê o play

“Comemorando” esta data tão especial para tantos casais (e tão bucólica e melancólica à tantas almas solitárias e feridas), escolhi uma Creepypasta que fala exatamente sobre este dia…

Sobre como ele pode ser mágico e maravilhoso… Bem como tudo pode estilhaçar-se em um instante, tornando-se uma maldição terrível.

Acompanhe agora o conto “Valentine’s Day”, e tente fazer uma reflexão: você já partiu o coração de alguém?

Se a resposta for sim, se eu fosse você teria mais cuidado no futuro…

 

ATENÇÃO: O conto à seguir contem passagens violentas e não recomendadas à todos os leitores. Antes de ler a história abaixo, pondere sobre este aviso.

 

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Dia dos Namorados, 1998.

Lembro-me daquele dia, em que te perguntei se queria ser a minha namorada. Aquele laço especial que eu sentia haver entre nós estava tornando-se ainda mais forte, e eu só queria levar nossa amizade para o próximo nível.

Também me lembro da expressão em seu rosto, a animação e felicidade daquele dia que passamos juntos sendo completamente drenados de você como se fosse água à fugir pelo ralo recém-aberto de uma pia. Você disse “não”.

Eu amava você.

Você sabia disso, então por que ainda fez aquilo comigo?

Por quê?

Lembro-me depois de te ver a me deixar lá sozinho enquanto ia-se embora em meio à multidão de amantes. Sentei-me em um banco para chorar, depois voltei para casa sozinho. Não havia ninguém lá esperando para me confortar após o que você fez comigo.

Lembro-me de acordar no dia seguinte e olhar para os padrões dos cortes que fiz em mim mesmo na última noite. O sangue sobre o tapete ainda estava lá desde então. A escrita na minha parede do quarto também permanecia lá.

“Por quê?” era o que se lia, palavras escritas com meu próprio sangue.

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Lembro-me que, duas semanas depois, eu a vi na rua com outro cara. Muito mais jovem e mais bonito que eu. A dor apenas foi aumentando em mim. Tudo que havíamos feito juntos foi simplesmente esquecido por você, jogado fora como algo descartável. Todas aquelas vezes que transamos, você havia me dito que amava a mim – e a ninguém mais.

Lembro-me de ter descido por um beco e lá ter sido assaltado e assassinado por bandidos. Morri pensando em você, enquanto aquela faca cravava-se em me peito e enterrava-se fatalmente em meu coração. Podia sentir a vida se esvaindo do meu corpo… A terrível dor era excruciante.

Depois lembro-me do meu funeral, meus amigos e familiares estavam lá. Minha mãe chorava copiosamente, e meu pai estava tentando conforta-la. Porém olhei para todos os lados e não a encontrei em parte alguma ali.

Quando morri, não foi algo bonito de se ver. Tudo o que pude sentir naquele momento foi uma terrível dor que ateou meu corpo em chamas… Mas eu não podia morrer, não podia desaparecer. Sentia que eu não estava completo, que precisava de algo mais – e eu sabia exatamente o que era.

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Era vingança. Não sei o que aconteceu comigo para continuar lúcido após a minha morte, mas sei que isto me doeu além do imaginável.

Quando eu retornei ao mundo, pensei em voltar para casa e dizer a todos que eu não havia partido… Mas logo percebi que ninguém podia me ver. Portanto meus planos mudaram: decidi matar os malditos que haviam tirado a minha vida naquele beco.

Ainda podia mover coisas, mas era como se eu mesmo fosse invisível. Foi muito divertido e aproveitei bem o momento em que o primeiro dos assassinos terminou com a cara enterrada no chão, crânio fraturado e sem o escalpo – ele jamais teria chance de saber o que o havia atingido.

Usei a mesma faca que eles usaram em mim para arrancar-lhe os olhos mortos das órbitas. Neste momento, os outros dois malditos já estavam acuados em um canto próximo, confusos e apavorados.

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Arranquei os dedos de um deles com meus dentes e, enquanto ele berrava em desespero, também extraí seus olhos com a faca. Guardei-os na palma da mesma mão na qual segurava os olhos da primeira vítima – eu os estava guardando para um propósito muito especial.

Eu faria um colar deles para você.

Agora com um desgraçado sem os dedos e olhos a balbuciar de desespero e dor, e com o terceiro e último já às lágrimas, senti uma onda de adrenalina e excitação que me tornou ainda mais violento: quebrei a mandíbula do já à beira da morte com um soco forte, e com um segundo golpe desalojei sua cabeça do corpo. Neste ponto, o terceiro já estava catatônico, então não foi problema cortar-lhe os olhos como fiz com os dois outros e finalizar com sua existência.

Meus algozes estavam mortos, haviam sofrido e pagado pelo que haviam feito. Mas eu queria mais vingança – e já sabia onde eu queria ir após a matança.

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Fui até a casa “dele”, o desgraçado que roubou você de mim. Eu seria ainda menos misericordioso com ele… Quando o vi pela primeira vez, ele já sabia que havia algo errado: parecia que podia sentir minha aproximação. Então o nocauteei com um único golpe na nuca, bloqueando suas vias respiratórias até que ele sufocou e desmaiou.

Quando o desgraçado acordou, que visão teve ele! Estava afogando-se em seu próprio sangue, pois eu havia lhe feito uma cavidade no pescoço (para que ele não morresse muito rápido). À beira da morte, acho que ele finalmente conseguiu me ver ao seu lado – “Mas você… Está morto!” ele tentou dizer entre golfadas rubras que se derramavam pelo chão frio (pelo menos eu acho que estava frio, eu estava coberto em sangue de tal forma que eu não conseguia sentir mais nada).

Eu… morto? Oh, ele estava tão errado.

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Enquanto ele disparava os últimos gritos que ainda era capaz, repeti o processo de extração de seus olhos com a faca. Depois lhe cortei o ventre de fora a fora para terminar o serviço.

Me senti finalmente melhor após esta morte, mas ainda não era o bastante.

Faltava alguém.

Faltava você.

Eu jamais seria completo sem você.

Então fui visita-la em casa, assoviando pelo caminho. Sabia que nada seria capaz de me impedir enquanto me aproximava, então fui me sentindo cada vez mais alegre e feliz.

Você sobressaltou-se ao me ver.

Começou a chorar, mas eu disse para não fazê-lo.

Não pôde parar com o maldito choro, então eu a amarrei. Me aborreci com você, gritei com você, a cortei e coloquei em seu pescoço o meu sangrento presente: meu colar de olhos assassinados. Então você começou a gritar cada vez mais alto.

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Finalmente entendi o que devia fazer. Peguei novamente a faca – a arma que havia me arrancado deste mundo – e a enterrei em seu olho. Agora estamos juntos para sempre, ligados por um laço eterno que jamais se desfará.

Eu estava feliz, finalmente.

Podia descansar em paz.

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Do original “Valentine’s Day”, escrito por DylanKLJ e Denytheruth.
Tradução e adaptação por Fabio Zonatto.

Geminiano em todos os aspectos, amante do suspense e mistério em todas as formas do entretenimento. Como um bom fã de Stephen King levo em meu coração as palavras de um pistoleiro a procura do seu Katet. "Eu não mato com a arma; Aquele que mata com a arma esqueceu o rosto do pai. Mato com o coração."