É madrugada. Você esta sozinho em seu quarto escuro. Seus tormentos não lhe deixam dormir, e a insônia traz junto toda a tristeza que sentimos na calada da noite – tristeza alimentada por nossas insatisfações, medos, fracassos, preocupações e desilusões. Você acreditaria que há uma música que, se ouvida em momentos como estes, pode ser a dose de coragem que lhe faltava para cometer suicídio?

Pois esta é a fama da trágica canção “Gloomy Sunday”, composta por um músico húngaro chamado Rezso Seress no início dos anos 30. O próprio Seress encontrou seu triste fim no suicídio da mesma forma.

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O compositor da canção suicida, Rezso Seress

A Origem da Tristeza

Rezso Seress – que a despeito de ter conseguido escapar vivo de um campo de concentração nazista durante a Segunda Guerra e conseguido uma boa carreira no teatro e no circo – jamais encontrou a verdadeira felicidade. Seress era apaixonado pela música, e dela queria viver embora jamais tenha criado uma composição de sucesso. Em meio à esta indignação, ainda foi abandonado por seu verdadeiro amor e com ela não reatou novamente. Isto mergulhou o artista em uma terrível depressão.

E foi exatamente neste mesmo período que ele criou a torpe “Gloomy Sunday”.

Com ajuda de outros artistas, Seress afinou a canção e a melodia para que sua obra fosse o verdadeiro pináculo da tristeza desoladora. Ele queria desabafar suas mágoas da forma mais poética que fosse possível, que cada palavra, entonação e nota musical viesse impressa de um sentimento de perda sombrio. E, ao que parece, foi muito bem sucedido em sua tarefa.

Dizem ainda que não teria sido somente a ex-namorada do músico que servira de inspiração para a trágica música – Seress poderia estar falando na verdade sobre a tristeza em relação a situação social do mundo, o período de guerras e até mesmo de previsões apocalípticas. Isso, no entanto, nunca foi e provavelmente nunca será confirmado.

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A Tristeza jogada aos Quatro Ventos

Embora tenha sido exaustivamente trabalhada, “Gloomy Sunday” jamais fez qualquer sucesso enquanto gravada somete por Seress. Foi necessário que outro artista, Pál Kálmar, a regravasse dois anos depois para que ela se disseminasse pela Hungria com relativo sucesso.

Foi então que a maldição começou.

Casos de suicídio começaram a surgir pelo país inteiro. Quando investigados, todos pareciam estar ligados à música de alguma forma (fosse por um comportamento diferente que a vítima começara a apresentar após ouvir a música, estivesse ela tocando no momento da morte). Adquirida a má fama, a Hungria viu “Gloomy Sunday” ter sua reprodução proibida em seu território.

Mas o que acontece quando algo torna-se oficialmente proibido? Ora, só chama ainda mais a atenção e desperta mais interesse. Prova é que, já em 1936, a balada da morte já havia sido exportada e traduzida para o inglês. Foi neste contexto que, em 1941, a cantora americana Billie Holliday regravou a maldita canção que mais uma vez obteve bons resultados de aceitação. No entanto, a versão Yankee de “Gloomy Sunday” continuou a alimentar lendas de outros casos suicidas (muitos não confirmados).

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Consolidando a Triste Lenda

Desde então, a macabra criação de Rezso Seress é lembrada sempre que um caso de suicídio instigado por alguma música surge na mídia. Um dos casos mais infames data de meados dos anos 80, onde um garoto teria se matado após ouvir a canção “Suicide Solution”, de Ozzy Osbourne.

Oficialmente, ao menos 100 casos de suicídios são creditados à conta de “Gloomy Sunday”. Ainda há lugares do mundo onde a serenata fatal não pode ser reproduzida oficialmente, e enquanto houver quem tema sua lenda, ela jamais deixará de sugestionar novas mortes.

Como uma última nota aos que ficaram curiosos com o destino de Rezso Seress: ele procurou seu antigo amor após tornar-se conhecido – isso em meados de 1968 – sabendo logo após que a garota havia tirado a própria vida. Ao lado do corpo, teria sido encontrada uma folha de papel com a letra da música amaldiçoada. Seress então declarou o seguinte:

“Essa fama fatal me machuca. Eu chorei todas as tristezas de meu coração nessa música e parece que outras pessoas, com sentimentos como os meus, encontraram sua própria dor”.

Incapaz de suportar a culpa por supostamente ter criado algo que causara tanta dor e sofrimento, ele por fim atirou-se da janela do apartamento onde vivia em Budapeste.

Termino apresentando à vocês a triste e melancólica “Gloomy Sunday” na versão em inglês de Billie Holliday (com a tradução dos versos). Recomendo que, se for mesmo ouvi-la, escolha muito bem o momento certo para fazê-lo…

Fonte: Mega Curioso

Geminiano em todos os aspectos, amante do suspense e mistério em todas as formas do entretenimento. Como um bom fã de Stephen King levo em meu coração as palavras de um pistoleiro a procura do seu Katet. "Eu não mato com a arma; Aquele que mata com a arma esqueceu o rosto do pai. Mato com o coração."