Mesmo sabendo que o horror romântico de Drácula de Bram Stoker se tratava de uma adaptação, o marketing do livro foi todo baseado em histórias reveladas por uma série de diários, gravações de áudio, etc. Isso resultou um um nível nunca imaginado de realismo sobre a história como jamais pensado antes, uma projeção muito maior do que um romance propriamente dito, sem os fatos pseudo realistas para apoiar o mito.

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Um dos primeiros filmes a usar elementos do Found Footage

Naturalmente, Drácula não é o único exemplo de uma narrativa deste tipo. Mary Shelley Frankenstein também usou o formato para injetar ainda mais credibilidade em uma história já cativante. Com a constante evolução do meio artístico e tecnológico, foi apenas uma questão de tempo para que estas ideias fossem para as telonas.

Found Footage, apesar de ser considerado por muitos críticos como uma forma preguiçosa de se trabalhar, é apenas a evolução natural das técnicas mais antigas de se contar histórias traduzidas em um novo meio. Stoker usou cada elemento da mídia que estava disponível para ele no momento de criar um conto coerente, por isso não é muito desvaneio imagina-lo ou até mesmo Mary Shelley, incluindo um diário em vídeo de suas obras. Estes filmes estão fazendo o mesmo, mas com um nível de narrativa diferente.

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UFO Alien Abduction, primeira produção no Found Footage

Aceito que Cannibal Holocaust é o primeiro de seu tipo, apesar de ter elementos cinematográficos tradicionais também. Na minha opinião, a primeira produção found footage foi UFO Alien Abduction, um filme de terror dirigido por Dean Alioto e lançado em 1989. O filme narra a história da família Van Heese durante uma festa de aniversário. Quando invasores alienígenas chegam e tudo vira um grande desespero em uma área isolada.

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A Bruxa de Blair, O primeiro sucesso mundial em Found Footage

Este filme é uma escola óbvia para o estilo, por isso considerado por muito como o ícone no estilo found footage, estamos falando de A Bruxa de Blair (Artisan Entertainment). Muitos dos clichês modernos que conhecemos e amamos (e odiamos) começou aqui, sem dúvida Eduardo Sanchez, Daniel Myrick e até mesmo Lance Weiler e Stefan Avalos beberam de sua própria  fonte para o desenvolvimento de seus próximos trabalhos. O que faz com que a imagem seja o principal destaque, no entanto, é o uso initerrupto de uma câmera de vídeo doméstico para registrar eventos horríveis que gera muita discussão dos amantes do terror.

A Bruxa de Blair se tornaria um dos filmes (se não o maior) de maior sucesso do gênero found footage, espalhando o método para várias outras produções do cinema em massa. Atividade Paranormal(Paramount Pictures)V/H/S (Magnet Releasing) e muitos outros devem sua existência ao marketing engenhoso deste filme que foi plausivelmente assustador. Embora seja um dos meus filmes favoritos, as críticas em relação a narrativa simplista é bem mais fundamentada, e este é um dos problemas desses filmes, infelizmente, o problema persiste até hoje.

É bastante evidente que este sub-gênero não está sendo usado, pelo menos na maioria das vezes, em seu pleno potencial. É injusto esperar que todos os filmes found footage sejam bons, mas a quantidade desproporcional de exagero de sons e truques preguiçosos da direção e roteiristas incomoda demais a todos que querem acreditar neste estilo. Todos sabem que o custo destas produções são quase insignificantes perto de grandes filmes de Hollywood, mas não devem haver mais cineastas dispostos a experimentar e proporcionar o desenvolvimento do caráter real do estilo e suas histórias mais sutis?

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Projeto Almanaque, uma aposta interessante e inovadora

Outro ponto estranho sobre o found footage é que geralmente ele gira ao redor do terror, poucas apostas são feitas, tirando o estilo de sua zona de conforto(?). A Paramount Pictures recentemente em Projeto Almanaque (Project Almanac, 2015), mostrou o grande potencial deste sub-gênero. Sinceramente fiquei muito feliz com o resultado e satisfeito com as apostas feitas em sua narrativa. Dean Israelite soube aproveitar de forma inteligente, 70% do poder do found footage. No entanto, existe uma possível explicação para essa preferência pelo terror/horror quando se trata de filmar, o gênero mais confortável com mudanças radicais e extremas é o horror. Quando bem feito, filmes de terror tendem a desafiar o habitual e apresentar a todos uma experiência nova e surpreendente.

Isso não quer dizer que todos os filmes descentes de found footage são assustadores, como no exemplo citado acima, Projeto Almanaque (Paramount Pictures) e Chronicle (20th Century Fox) levaram o público em massa com um ponto de vista muito pessoal, fazendo cenas que deveriam ser bizarras, as mais incríveis possíveis. O clímax também usou o conceito de forma brilhante a favor da história, mas eu prefiro não estragar a diversão de vocês dando spoiler.

Se a melhor forma de mergulhar em uma história é dentro deste sub-gênero, o porque sua maioria está dando errado? O fato é que isso não aconteceu. O found footage é um meio relativamente jovem no entretenimento, ainda em fase de construção. A maioria dos exemplos citados como futuros “clássicos” não foram produzidos ainda. Também pode haver alguma mudança radical na tecnologia deixando tudo muito obsoleto. A Literatura, por outro lado, teve muito mais tempo para se desenvolver na forma de como contar sua história, melhores autores, isso sem mencionar o fato de que a produção de um livro é geralmente bem mais barato que uma produção cinematográfica. Com o tempo, não é apenas possível, mas provável que nós vamos chegar a novos e melhores filmes no estilo found footage que possam competir com O Poderoso Chefão e até mesmo  Titanic.

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Os games já estão utilizando o found footage para melhorar a imersão do jogador no universo apresentado

Outros meios de comunicação estão se adaptando e incluindo conceitos semelhantes ao found footage. Games que contam suas histórias através de notas e gravações como Bioshock(2K Games) e Alien: Isolation(SEGA),  estão seguindo uma extensividade da velha tradição de se contar pelo real. Slender e Outlast também servem como exemplos para ‘found footage em jogos’. Nas mídias sociais e vídeos online a nossa forma de acompanhar narrativas mudaram, como recentemente o Trilha do Medo usou a técnica para criar o Caminhos da Morte, um filme de terror interativo, ou como a Warner em seu viral Charlie, Charlie em suas contas fakes no Twitter, explodindo teorias no Youtube, em diversos canais.

Em uma última análise, os filmes found footage tem um longo caminho a percorrer em termos de amadurecimento como um gênero sério, mas estamos chegando lá. Posso constatar isto com o novo Atividade Paranormal: Dimensão Fantasma, onde a tecnologia 3D se tornou um elemento na narrativa, tudo foi apresentado de forma extraordinária e inovadora. Uma história contada através de pontos de vista específicos deixando o roteiro e desenvolvimento dos personagens insuficiente para os mais críticos.

Espero ver no futuro mais cineastas levarem este estilo a sério e trata-los como a uma arte real e não somente emoção barata. Seria interessante ver mais adaptações com a mesma fidelidade que podemos ver em obras literárias e quadrinhos. Isto não significa que eu acho Drácula o melhor filme para ser apreciado como found footage, mas eu com certeza iria comprar um ingresso para ver no cinema. 

Geminiano em todos os aspectos, amante do suspense e mistério em todas as formas do entretenimento. Como um bom fã de Stephen King levo em meu coração as palavras de um pistoleiro a procura do seu Katet. "Eu não mato com a arma; Aquele que mata com a arma esqueceu o rosto do pai. Mato com o coração."