Continua a versão adaptada pelo zumbicaster Fabio Zonatto da mítica Creepypasta “BEN Drowned”. Se ainda não leu o começo, clique nos respectivos links abaixo para acompanhar as partes anteriores deste terrível conto:

Parte Um – “Uma Creepypasta Especial”
Parte Dois – “Dawn of a New Day”

Antes de mais nada, acompanhem o vídeo que cobre os eventos descritos nas duas primeiras partes:

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Post #2 (8 de setembro, 2010)

Vou postar o que aconteceu e linkar o vídeo que gravei, mas na última noite as coisas ficaram reais demais pra mim. Acho que não quero mais ficar brincando com isso.
Eu cai no sono quase que imediatamente após criar aquele tópico, e durante o meu sonho eu vi aquela estátua Elegy of Emptiness. Sonhei que aquela coisa estava me perseguindo na vida real, que eu estava cuidando da minha vida e sentia os pêlos da minha nuca se arrepiarem. Eu então me virava só para dar de cara com aquela coisa… aquela horrível estátua sem vida a me encarar a apenas alguns centímetros de mim com aqueles olhos vazios. Em meu sonho, eu lembro-me de chama-la “Ben”, e nunca antes tive um sonho do qual me lembrasse depois de maneira tão clara. Mas o mais importante é que eu consegui dormir um pouco, acredito.

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Hoje eu tentei evitar voltar a jogar ao máximo, peguei meu carro e guiei rumo àquela vizinhança para novamente procurar por aquele velho. Bem como eu já esperava, não havia ninguém na casa, nem o carro estava lá.
Enquanto eu retornava para o carro, no entanto, o vizinho do velho que estava cortando a grama de seu jardim desligou seu aparelho e perguntou-me se eu estava procurando por alguém. Ao lhe dizer quem eu procurava, ele apenas confirmou o que eu já sabia – o idoso estava se mudando.

Tentando tomar um outro rumo na conversa do qual eu pudesse me beneficiar com alguma informação, perguntei ao homem se o velho tinha algum parente ou conhecido com quem eu pudesse falar. Descobri que ele jamais foi casado e nem teve qualquer filho, nem mesmo por adoção. Já ficando cada vez mais apreensivo com aquela situação, eu me atrevi a fazer uma última pergunta ao vizinho (uma que talvez eu devesse ter feito logo de cara) – Quem era Ben afinal?
Imediatamente a expressão do cara ficou bem mais séria, e ele me disse que umas quatro casas mais adiante naquela mesma rua por volta de uns oito anos atrás acontecera um acidente com um garoto chamado Ben. Isto havia ocorrido no dia 23 de abril daquele ano, e ele sabia a data com exatidão porque foi no mesmo dia em que Ben fazia aniversário. Nada mais me disse após isso.

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Sem mais escolhas, voltei pra casa e retomei o jogo. Ao carregar o cartucho, lá estava eu novamente na tela inicial do game com a máscara a flutuar… Mas não foi o habitual “whoosh” que eu ouvi, foi algo bem mais estridente. Apertei START já temendo pelo pior, mas como havia acontecido duas noites atrás, novamente me foram apresentados os arquivos de salvamento “Your Turn” e “BEN” (verdade seja dita, eu olhei anteriormente para o save “BEN” e ele parecia oscilar). Carreguei o “BEN”, mas hesitei bastante ao reparar que o progresso daquele arquivo parecia ter se alterado desde a ultima vez que eu o havia jogado – agora parecia que ele já havia completado a parte do Stone Tower Temple…
Convoquei toda a minha coragem e o selecionei mesmo assim.

Imediatamente fui enfiado em um completo caos. Tinha apenas certeza de que estava do lado de fora do Stone Tower Temple, mas minhas esperanças de um jogo normal morriam exatamente ai.
O nome daquela área nem mesmo era “Stone Tower Temple”, mas somente “S t o n e”, e logo uma caixa de diálogo contendo somete besteiras ilegíveis me recepcionou. O corpo de Link estava pavorosamente distorcido – suas costas estavam violentamente curvadas para o lado, desfigurando permanentemente a postura do personagem. A expressão de Link era vaga, algo monótona… um aspecto que eu não reconheci antes no jogo, um olhar em branco – como se ele estivesse morto. Enquanto ele permanecia ali parado, seu corpo sofria espasmos irregulares de vez em quando. Examinei o que havia restado do meu avatar e percebi que eu tinha um item configurado no botão “C” que eu nunca tinha visto antes. Parecia uma nota, mas mesmo pressionando o botão nada acontecia. Os sons que eram reproduzidos eu não conseguia distinguir como parte do game original – como se fossem de uma natureza demoníaca, além de haver um estridente latido ou gargalhada… Sei lá o que era aquilo na verdade.
E tudo o que eu tive foram míseros dois minutos antes daquela maldita estátua da Elegy of Emptiness ressurgir na tela, para que novamente a tela “Dawn of a New Day” fosse exibida logo em seguida (desta vez sem o subtexto “||||||”).

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Estava agora em um “Deku Scrub” na infame Clock Town – esta cena era reproduzida normalmente após sua primeira viagem no tempo. Tatl deveria dizer “Wh-What just happened? It’s as if everything has…” (O-o que aconteceu? É como se tudo tivesse…”), mas ao invés de terminar sua fala com o habitual “…Started over” (“…Começado novamente”), ela finalizou sua sentença com uma linha de texto desordenada e com a gargalhada do Happy Mask Salesman sendo executada ao fundo. Quando o controle do meu personagem voltou para mim, o ângulo de câmera estava completamente bizarro – eu estava olhando por detrás da porta de Clock Tower, enquanto assistia Link correndo por ali na forma de um Deku Scrub. Percebendo que não tinha outra opção e completamente à contragosto, atravessei a porta.
Quem me recebera do outro lado? Ninguém menos que o amaldiçoado Happy Mask Salesman, que simplesmente disse-me uma vez mais “You’ve met with a terrible fate, haven’t you?” (“Você teve um destino terrível, não foi?”) antes que a tela inteira ficasse branca.

Eu estava nos campos de Termina como um humano novamente. Poderia muito bem não estar mais jogando o mesmo game, já que estava sendo transportado para lá e não havia sequer sinal de um relógio diurno ou qualquer coisa do tipo. Levei um momento para me reorientar enquanto olhava ao redor… Foi quando eu notei de imediato que algo estava errado naqueles campos.
Não havia qualquer inimigo por perto e como tema de fundo ouvia-se uma versão distorcida da canção do Happy Mask Salesman. Decidi correr na direção de Woodfall pouco antes de notar uma pequena reunião à diante, onde avistava três figuras – uma delas sendo Epona. Ao me aproximar deles, para o meu terror, eu vi o Happy Mask Salesman, o Skull Kid, e a estátua de Elegy of Emptiness apenas ali, parados. Pensei que poderia ser um bug, mas logo me senti um verdadeiro ingênuo – naquela altura, eu já deveria saber melhor o que estava realmente acontecendo.

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De todo modo, ao chegar perto deles cuidadosamente, percebi que o Skull Kid estava executado uma animação vazia em “loop”, o mesmo acontecendo com Epona. Quanto à estátua maldita da Elegy of Emptiness, ela simplesmente fazia o que sempre fez até aquele momento – estava apenas ali, parada de forma arrepiante. Porém foi o Happy Mask Salesman que me assustou mais que qualquer outro ali.
Ele também estava ali, parado e com aquele sorriso de bastardo miserável estampado no rosto. Mas perturbador mesmo foi o fato de que para onde quer que eu fosse… ele me acompanhava lentamente com a cabeça. Não estava em qualquer diálogo com ele, muito menos estava em combate com a figura, mas nada disso parecia importar: ele continuava a seguir meus movimentos. Ao lembrar-me de meu primeiro encontro com o Skull Kid no topo da Clock Tower, saquei minha Ocarina (ao que o game respondeu com o característico “ding”, reproduzido quando você deve mesmo tocar o instrumento) e tentei executar canções que ainda não havia tocado – como o tema musical do Happy Mask Salesman e a “Song of Healing”, tocada continuamente enquanto eu jogava o “Dia 4”.

Assim que terminei a canção, um ruído agudo explodiu da minha TV, os céus no game começaram a piscar em flashes, o tema distorcido do Salesman aumentou sua velocidade (o que intensificou o medo crescente que eu já sentia) e, finalmente, meu Link foi engolfado em chamas mortais. As três figuras permaneceram imóveis diante da horrenda cena como se estivessem assistindo o corpo sem vida de Link queimar. Não serei capaz de descrever o quão súbita e aterrorizante é a transição do susto para o completo horror, você terá de assistir ao vídeo se quiser mesmo entender o que é este sentimento. Aquele mesmo medo que causou minha insônia dois dias atrás começou a me agarrar novamente assim que li por uma terceira vez a frase “You’ve met with a horrible fate, haven’t you?”. Tinha de haver um sentido para aquelas malditas palavras.

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Mas tive pouco tempo para ponderar sobre isto, pois logo fui levado a mais uma pequena “cut-scene” onde era transformado em Zora, e agora estava em Great Temple Bay. Hesitante, porém curioso para saber o que o jogo tinha preparado para mim, fui avançando lentamente na direção da praia onde logo reencontrei Epona. Pergunte-me qual teria sido o motivo para que ela estivesse parada bem ali… Não conseguia me livrar da máscara, então certamente a intenção não era que eu a montasse.
Subitamente percebi que ela relinchava sem parar, e a maneira em que ela estava alinhada em direção ao mar aberto sugeria que talvez estivesse me apontando algo distante. Era somente um palpite, mas mergulhei nas águas da Great Bay e comecei a nadar na direção “sugerida” por Epona. Não demorou muito até que eu encontrasse uma coisa no fundo daquelas águas – uma última estátua Elegy of Emptiness.
Quando fui investiga-la mais de perto, novamente o inesperado aconteceu: o Zora no qual eu havia me transformado começou a afogar-se – algo que eu jamais o vira fazer antes, pois também não fazia o menor sentido (na forma de Zora, o personagem pode respirar debaixo d‘água). Sem escapatória, novamente meu personagem morreu e a única coisa que permaneceu iluminada após o espetáculo horrível era aquela maldita estátua. Não renasci na mesma tela em seguida – ao invés disso fui enviado para o menu principal na tela-título, como se eu tivesse reiniciado o console.

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Muito bem, a tela inicial estava novamente diante de mim. Eu sabia que isto só podia significar uma coisa: os arquivos de salvamento haviam sido alterados uma vez mais. Respirei fundo e apertei START… constatando que eu estava certo. E para o meu desconforto, estes novos arquivos me falavam sobre Ben, explicando agora o porquê da estátua Elegy surgir para mim quando tentei fugir para a Laundry Pool durante o “Day 4” em Clock Town – o que havia acontecido era que o maldito jogo havia antecipado minha tentativa de escapar dali daquela forma. Os dois arquivos me mostravam o que realmente havia acontecido com o garoto na vida real.
Ben estava morto, havia se afogado exatamente como eu suspeitara. Mas o jogo não havia terminado de brincar comigo – ele me provocava com seus novos arquivos de salvamento, querendo que eu continuasse preso à ele, que continuasse a me aprofundar nesta loucura… Mas eu cheguei no meu limite. Não vou mais tocar naqueles “save files”. Isto já tornou-se horripilante demais pra mim e eu nem acredito em sobrenatural… Mas estou ficando sem explicações racionais para dar.

Por que alguém me mandaria esta mensagem?
Não entendo, estou simplesmente deprimido demais pensando nisso. O vídeo esta ai para que vocês o analisem (talvez haja algum tipo de código ou mensagem nas baboseiras ilegíveis dadas durante as falas, ou alguma simbologia no que eu tive de passar enquanto jogava – só sei que estou emocionalmente e mentalmente exausto para querer mexer ainda mais com isto).

Do documento original “BEN Drowned”, de Alex Hall (Jadusable)
Traduzido e Adaptado por Fabio Zonatto

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Mas Jedusable ainda não havia terminado seu pesadelo.
Mesmo contra sua vontade racional, ele tornou a voltar para o amaldiçoado cartucho em busca de respostas… E de um fim para seus tormentos.

 

Não perca a próxima parte, em breve.

 

Geminiano em todos os aspectos, amante do suspense e mistério em todas as formas do entretenimento. Como um bom fã de Stephen King levo em meu coração as palavras de um pistoleiro a procura do seu Katet. "Eu não mato com a arma; Aquele que mata com a arma esqueceu o rosto do pai. Mato com o coração."