Para inaugurarmos esta seção especial, um assunto não menos especial: Líderes em Apocalipse Zumbi.

Para que um grupo de sobreviventes continue a manter-se vivo, saudável, protegido e, principalmente, unido em um mundo onde o ser humano não esta mais no topo da cadeia alimentar, muito vai depender se este grupo possui alguém na posição de líder e se este é ou não habilitado para tal função. Uma pessoa não se torna líder por ser um bom atirador, ou por ser o dono da casa onde o grupo esta abrigado, por exemplo. O líder também não é necessariamente o mais velho, alguém que já teve algum treinamento militar, muito menos tem de ser um homem.

O que muitas vezes demonstra se alguém é um bom líder ou não é o fato deste não declarar-se disposto a aceitar esta importante posição – se o motivo para Isto for sua ciência da responsabilidade que é ter um pequeno contingente de pessoas à mercê de suas decisões, sabendo que suas vidas dependem disso, ele já tem o mais importante: a conscientização do valor de uma vida humana.

Os melhores líderes não escolhem sê-lo na maioria das vezes. Acabam sendo escolhidos por mostrarem-se sempre (ou na maioria das vezes) aquela pessoa controlada que sabe tomar decisões importantes (às vezes num curto período de tempo) e/ou que está sempre arriscando a própria vida para ajudar alguém. Sim, pessoas assim ainda existem nos dias de hoje. E elas surgirão quando o momento chegar.

Estes são os três que escolhi para mencionar este mês. Há ainda uma menção honrosa ao final, de um quarto indivíduo que merecia também algum espaço. Os motivos estão mostrados um por um. Eu não espero que concorde com cada palavra, mas pense com atenção. Você verá que o que estes aqui fazem deve sim ser reconhecido.

3 Claire Redfield Resident Evil: A Extinção

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 A personagem interpretada no filme pela atriz Ali Larter com certeza é apenas uma lembrança muito vaga da Claire que os fanáticos pelo clássico game Resident Evil 2 tanto conhecem e cultuam. Por causa disto, muitos desaprovaram sua aparição neste controverso longo-metragem. Mas não é porque ela não é uma motoqueira rebelde com jaqueta cor-de-rosa nesta realidade paralela ao game que devemos ignorá-la: esta Claire Redfield aqui é uma forte líder de um comboio de sobreviventes.

Infelizmente quase nada é esclarecido sobre como ela tornou-se a líder daquele grupo inicialmente tão numeroso, ou algo mais que seja sobre sua história.

Claire esta sempre se preocupando com seus protegidos e sua segurança. E, por saber que não tem como protegê-los totalmente (prova disso é a menção de Carlos Oliveira à famigerada Alice de que o grupo tinha o dobro do tamanho, meses antes) é que ela esta sempre desanimada e com um pesaroso semblante de culpa por acreditar ser ela a responsável toda a vez que alguém de seu bando morre.

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Como uma boa combatente ela sabe atirar bem, mas também sabe organizar sua equipe de apoio para montar perímetros de defesa de maneira relativamente eficiente. Sem experiência militar alguma, ela conta com o próprio instinto para guiar seu grupo. Antes de tomar qualquer decisão que os envolva ela não pensa duas, mas mil vezes.

Seu completo desprendimento pela própria segurança em favor de seus protegidos, seu forte senso de responsabilidade em suas decisões e sua voz forte em comando a tornam por direito a terceira colocada da Batalha deste mês.

2 Rick Grimes The Walking Dead (série de TV)

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Vou deixar claro aqui que este é o carismático Rick Grimes da série feita para TV interpretado pelo ator Andrew Lincoln, não o da graphic novel que o originou. Preferi falar sobre esta faceta do personagem pois ainda não conheço muito bem o Rick dos quadrinhos e sei que por lá ele é um cara mais durão e bem mais complexo – isso comparando ambos com base na situação atual do personagem das telinhas.

Para os que não conhecem a história, Rick era o xerife de uma pequena cidade no interior dos Estados Unidos quando o Apocalipse Zumbi destruiu o país. No mundo pós apocalíptico, repleto de mortos vagando pelas ruas, seu primeiro instinto foi procurar por sua família: sua esposa Lori e seu filho Carl. No caminho até eles, ele já demonstra bem suas características altruístas, ajudando um homem e seu filho que inicialmente o ajudaram quando Rick ainda vagava sem rumo e confuso com o fato de que o mundo… acabara.

Ao encontrar-se novamente com sua família, o ex-xerife descobre que eles agora faziam parte de um grupo de sobreviventes e, sem fazer muito esforço, logo acaba virando o seu líder.

Rick Grimes é um sujeito bastante carismático. Isto inspira tranqüilidade aos demais do grupo. Parece ser muito difícil fazê-lo perder o controle de alguma situação através da pressão. Apesar de suas prioridades estarem principalmente para com sua família, ele não pensa duas vezes antes de ajudar qualquer que seja o necessitado.

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Em duas situações de spoilers para quem ainda não assistiu a série – e, neste caso, aconselho a pular este trecho do texto direto para o final – ele entrega de bom grado parte de seu precioso armamento para um grupo de jovens que agora protegiam um asilo de idosos, mesmo estes tendo sido hostis num primeiro momento; e em outra, quando fica sabendo de alguns tristes acontecimentos na vida de sua esposa após esta tê-lo tomado como morto (mulheres seguem em frente…), ele consegue compreende-la e mantêm-se complacente para com ela. Tudo por saber ser a situação crítica demais para descontrolar-se com problemas pessoais.

Seu espírito de heróico protetor (muito herdado de seu antigo posto de xerife), sua serenidade e seu incrível autocontrole (eu pessoalmente não conseguiria perdoar tão facilmente como ele – ainda que o motivo fosse nobre), o tornam, com louvor, o segundo maior líder do mês.

1 Komuro Takashi Highschool of the Dead

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Ok, uma decisão polêmica para o topo do pódio sem dúvidas. Temos tantos bons personagens vindos de histórias de zumbis que escolher um vindo de um mangá pode parecer absurdo. Komuro merece sim um bocado ocupar o primeiro lugar, e aqui vão os fatos:

Com apenas 17 anos, Komuro Takahashi não era nada mais além de um jovem preguiçoso e irresponsável, além de um assassino profissional de aulas – sempre cabulando a escola para ficar de bobeira pensando na vida. Seu comportamento, inclusive, o tornou repetente em um ano de escola.

Mas absolutamente tudo mudou no momento em que, enquanto costumeiramente matava uma aula, ele presencia uma cena trágica nos portões de sua escola – um sujeito estranho ataca um professor nos portões da escola. O professor morre rapidamente após ser mordido pelo estranho agressor e momentos depois reanima-se como um zumbi, rapidamente matando outra professora que tentava ajudá-lo.

Começam aqui as qualidades de Komuro como um líder: Seu primeiro impulso é correr para a sala onde estudava Rei, uma garota pela qual era apaixonado, e arranca-a de lá à força (sabendo ser para o próprio bem dela). Após tentar empreender fuga da escola – que, graças a velocidade e mortalidade da infecção, já está completamente caótica – Komuro, a garota e outro rapaz vão parar num terraço bloqueado às pressas para improvisar um refúgio. O rapaz, que havia sido mordido enquanto fugiam das salas, acaba morrendo e reanimando-se como um zumbi, obrigado o jovem Komuro, um estudante irresponsável de 17 anos, a dar cabo da tarefa da maneira mais chocante: um golpe de bastão no topo da cabeça do ex-colega, esmagando-lhe o crânio.

Com tudo isso para começar podemos ver que, em curtíssimo espaço de tempo, Komuro teve de amadurecer e tornar-se um homem responsável para salvar à si mesmo e a quem lhe é querido, não importando o que tivesse de ser feito para isto.

Em pouco tempo, um pequeno grupo de estudantes – e a enfermeira da escola (uma mulher adulta) entre eles – também une-se à Komuro e Rei, acabando por nomear o ex-repetente como o líder deles posteriormente. E o garoto começa a demonstrar constantemente que é mesmo o mais apto à função dentre eles: torna-se responsável como nunca antes havia sido na vida, tomando decisões acertadas sobre rotas de fuga e mantendo o grupo à salvo. Em uma situação bastante dramática, ele arrisca-se entre dezenas de zumbis apenas para salvar uma garotinha que ele nunca havia visto antes (e que acaba por unir-se ao grupo após). Pombas mancas, ele não se esquece nem mesmo de salvar o cãozinho da menina, enfiando-o na camiseta!

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Por fim, damos a maior prova do bom líder com este exemplo – e atenção: aí vem spoiler para os que não leram o mangá. Em determinado ponto, os jovens chegam até a casa da família de uma das integrantes do grupo. Agora entre adultos, os sobreviventes colegiais são forçados a entregarem as armas de fogo que haviam conseguido, sem importarem-se que o garoto em posse das armas, o jovem Kouta, é exímio atirador e havia salvo a vida do grupo já muitas vezes até então. Quando Kouta esta sendo repreendido e pressionado pelos adultos a abrir mão das armas, Komuro intervêm e coloca-se entre os homens e seu fiel amigo atirador. Com fortes argumentos, o adolescente rebate os duras palavras dos adultos, atentando-os sobre o fato de agora não serem mais crianças, mas sim sobreviventes.

Com tal comportamento amadurecido em tempo recorde, grande carisma e forte senso de dever e justiça, Komuro Takahashi é o merecedor da medalha de ouro deste mês!

O pódio está completo, mas não seria justo não mencionar um quarto sobrevivente. Este homem também tem grandes características de um bom líder, mas não figurou no pódio por um motivo muito simples: não era ouvido por quase ninguém de seu grupo. Aprenda mais sobre ele a seguir.

Menção Honrosa

Michael – Madrugada dos Mortos (2004)

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 Vindo do caótico filme de Zack Snyder – na verdade uma regravação moderna do clássico Dawn of the Dead de George A. Romero – esta o calmo, comedido e simpático Michael (interpretado pelo ator Jake Weber). Ele surge logo no início da trama, e já a primeira coisa que faz é impedir um tiroteio entre o ex-criminoso Andre e o policial linha-dura Kenneth.

Quando chegam todos ao Shopping Center (onde 95% da história se passa), as qualidades de liderança presentes em Michael já começam a aparecer, infelizmente bem como seu maior defeito: sua personalidade pacífica demais. Ele coordena algumas funções para os sobreviventes, os quais as acatam meio a contra-gosto. Quando tenta delegar uma tarefa à Kenneth logo recebe dele um olhar gelado, o que o faz rapidamente retirar a instrução e o faz dizer “É… acho melhor você ficar aqui com a arma né?

Durante todo o filme, Michael dá mostras claras de que seria bom líder, mas por ser simpático em excesso e não ter personalidade combativa, acaba deixando que as coisas corram mais ou menos como correriam sem qualquer intervenção sua.

O personagem nos dá uma importante lição: Jamais deixe de impor-se com seu grupo se acha estar tomando o rumo mais acertado para as coisas. Convença-os com argumentos sólidos de que precisam fazer aquilo que está sugerindo. E não intimide-se com a personalidade de ninguém. Lembre-se que se você dobrar-se à vontade do metido à Braddock, pode não haver mais ninguém que o impeça de levar o grupo ao estômago dos zumbis. E se todos insistem em não ouvi-lo ou ignora-lo – ainda mais se já tiverem quebrado a cara antes por não ouvi-lo e continuarem a deixar de lado sua opinião – não pense duas vezes: Caia fora. Quando eles cometerem o erro final, não vai ser você a deixar a refeição dos mortos-vivos ainda mais farta.

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Geminiano em todos os aspectos, amante do suspense e mistério em todas as formas do entretenimento. Como um bom fã de Stephen King levo em meu coração as palavras de um pistoleiro a procura do seu Katet. "Eu não mato com a arma; Aquele que mata com a arma esqueceu o rosto do pai. Mato com o coração."