Alexandre Callari traz o Apocalipse Zumbi para o Brasil em uma história crua, caótica e lavada em muito sangue! Está preparado para o caos?

Quando se fala em literatura de zumbis, o que vem primeiro à cabeça dos fãs do gênero é o mestre Max Brooks – o cara que simplesmente escreveu a bíblia “Guia de Sobrevivência à Zumbis” (obra da qual já falamos aqui e que realmente passa ótimas dicas aos futuros sobreviventes) e do famoso “Guerra Mundial Z” (conto no qual baseou-se o blockbuster hollywoodiano estrelado por Brad Pitt recentemente).

Mas então surgiu o desbravador brasileiro Alexandre Callari que, com sua caravela chamada “Apocalipse Zumbi – Os Primeiros Anos”, conquistou com grande categoria um terreno antes dominado somente por gringos. Descobriu para nós um campo apocalíptico totalmente novo para a literatura de terror nacional!

Com uma narrativa ora melancólica e dramática, ora agressiva e visceral, Callari nos descreve uma realidade onde os mortos-vivos deixaram as obras de ficção e invadiram as ruas destruindo e devorando tudo e todos que encontraram em seu caminho. As autoridades foram incapazes de conter a epidemia de zumbis, os governos caíram e o mundo parece ter mergulhado no tão temido e derradeiro crepúsculo da humanidade – algo que conhecemos como “Apocalipse Zumbi”.

Mas para quê preocupar-se com o resto do mundo quando aqui mesmo, em nossa pátria entoada “Terra Dourada”, o caos já chegou e mergulhou-nos na insanidade?

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Exatamente isto: diferente de todas as obras que já lemos de americanos, espanhóis e outros estrangeiros, Callari traz os terríveis zumbis ao nosso quintal. Um Apocalipse Zumbi brasileiro que não conta com lojas de armas tão numerosas como padarias. E também onde um centro de treinamento de vigilantes é transformado em uma comunidade de sobreviventes – talvez das últimas do planeta – conhecido como Quartel Ctesifonte.

Lá, algumas parcas dezenas de pessoas vivem sob a constante ameaça dos zumbis, que persistem em perambular pelas redondezas além dos muros altos que os protegem, sendo a tensão e o estresse seus principais companheiros dia após dia. Mas eles não estão lá sozinhos.
Batedores (homens e mulheres treinados e preparados para combaterem os mortos-vivos e protegerem a comunidade) mantém o Ctesifonte suprido (com saídas periódicas do quartel em buscas por alimentos, medicamentos e recursos no que restou do antigo mundo) e a salvo de invasores. Entre estes batedores, temos personagens extremamente marcantes como o intempestivo Espartano, o ex-policial Conan, a devotada Judite, o gigante de ébano Cufu, o samurai Kojiro, o experiente Cortez e a bela Zenóbia. E todos estes – bem como os demais moradores do refúgio – chamam apenas a um homem de líder: Manes é seu nome, um guerreiro que não mede esforços para manter tudo nos eixos e proporcionar aos seus seguidores um mínimo de sobrevivência e esperança em um futuro melhor.

Como dizem que por trás de um grande homem há sempre uma grande mulher, com Manes não poderia ser diferente. Sua esposa Liza lhe dá todo o suporte e aconselhamento que ele precisa, tendo até mesmo o perdoado por uma traição – um caso que o líder do Ctesifonte teve com a batedora Zenóbia. Porém esta última jamais deixou de amar e desejar Manes, que por sua vez nunca conseguiu esquecer de sua paixão com Zenóbia, mesmo enquanto sabe que seu amor e devoção pela esposa são os mais fortes sentimentos que guarda. Está montado então um perigoso triângulo amoroso que temperará o livro em momentos intensos!

Mas quando se achava que os zumbis eram realmente o único perigo a ser controlado, um novo jogador senta-se ao tabuleiro. Uma figura traiçoeira, um estranho para o quartel que apresenta-se na forma de um magro e aparentemente frágil homem: Dujas, um alguém que sabe-se lá como sobrevivera no mundo pós-apocalipse “sozinho” até aquele momento e que “finalmente encontrara um porto seguro” ao chegar à comunidade de Manes. Mesmo sob suspeita, Dujas é aceito pelo líder que insiste em sempre dar um voto de confiança e uma chance a todos.

Decisão que ele irá amargar como nunca amargou qualquer outra em sua vida.

Você acompanhará narrativas distintas, que estão acontecendo simultaneamente: pela cidade, Espartano pensa ter sido o único sobrevivente de uma missão que culminou em desastre e passará por momentos de puro horror nas mãos de estranhos contaminados. Também fora das muralhas do Ctesifonte, Conan acredita da mesma forma ter sido o único a escapar desta mesma missão e que sua sobrevivência é de vital importância para a humanidade graças a uma chocante descoberta que fez – mas conseguirá ele vencer hordas de zumbis e chegar ao quartel sozinho estando tão distante?

Enquanto isso, Manes reúne seus melhores batedores e sai em uma missão suicida para tentar resgatar seus homens em campo – e terá de enfrentar nada menos que o inferno entre combates sangrentos com os mortos-vivos e seus conflitos internos envolvendo Liza e Zenóbia. Porém, é exatamente quando ele parte do quartel levando seu time de confiança que Dujas vê na frágil comunidade a chance que tanto ansiou… Ele com certeza não chegou à comunidade com boas intenções!

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Ação, drama, terror e muita emoção transformam “Apocalipse Zumbi – Os Primeiros Anos” em uma leitura obrigatória. Além do livro, é incluso também um CD com faixas musicais que o autor recomenda serem executadas enquanto mergulhamos na história (recomendo: a experiência torna-se ainda mais intensa!). E apresse-se para ler este: a continuação já foi lançada no segundo volume “Inferno na Terra” – cuja resenha você também vai conferir aqui em breve!

Para saber mais sobre o autor e sua obra, não deixe de ouvir o Ep.8 do Zumbicast onde Zotto Vaz entrevista o próprio Alexandre Callari em um bate-papo super descontraído e divertido!

Geminiano em todos os aspectos, amante do suspense e mistério em todas as formas do entretenimento. Como um bom fã de Stephen King levo em meu coração as palavras de um pistoleiro a procura do seu Katet. "Eu não mato com a arma; Aquele que mata com a arma esqueceu o rosto do pai. Mato com o coração."