É comum que os filmes de terror apostem suas magras reservas de orçamento em tentativas para chocar os espectadores com cenas cada vez mais elaboradas. Parece que a pergunta comum dos produtores e roteiristas é “E agora? De onde o monstro vai pular dessa vez?”. Isso se dá porque basicamente há uma matemática hollywoodiana envolvida que sempre procura dar menos e receber mais.
É isso mesmo – os filmes são, para as produtoras de qualquer nível, um investimento como qualquer outro ramo de negócios.

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A devastadora maioria dos filmes de terror possui uma fórmula muito simples e barata. É difícil perceber grandes investimentos nesse estilo de filme, até porque ele não precisa – e com certeza não é disso que quero falar. O que acontece, muitas vezes, é que o filme preocupa-se em dar a quem assiste uma experiência assustadora e violenta, sem se preocupar com os fundamentos do terror e da violência porque, afinal, seu orçamento é tão ruim e seu tempo para desenvolver história é tão curto que a preocupação geral é de onde sairá o próximo susto para pegar a plateia desprevenida. Quando se fala em “fundamentos do terror e da violência”, muitos dirão que é besteira, porém não é.
Um exemplo clássico é uma cena d“O Resgate do Soldado Ryan”, onde um soldado inimigo tenta esfaquear outro no peito depois de uma luta corporal super tensa. Essa cena respeitou e muito os fundamentos da violência, uma vez que o clima todo do filme e do desenvolvimento fiel dos personagens coagiu a tornar aquela cena muitas vezes mais impactante com o vendaval de tripas e sangue que há nas cenas de “Jogos Mortais”, por exemplo.

 

É admissível que seja difícil encontrar filmes de terror marcantes hoje em dia, e o diretor que fizer um está definitivamente de parabéns pois lutou bravamente contra o baixo orçamento, pouco tempo e pouco investimento na seleção de personagens (que hoje em dia são resumidos em jovens desmiolados com roupas mínimas e que nós queremos é que morram mesmo). Portanto, se você, como eu, está procurando um terror de qualidade e não acha, venho aqui trazer uma simples e ótima solução: o livro.

Em um livro há espaço e desenvolvimento livre do personagem. O orçamento de um livro não é definido por dinheiro e sim pela imaginação do autor. Cada cena que choca vem para fazer seu trabalho com perfeição, pois o leitor paciente conhece os personagens e, com um bom trabalho do escritor, se identifica com eles. Há espaço para não deixar pontas e há muito mais profundidade do que podemos encontrar em filmes com zilhões de dólares de investimento.
Garanto que bons nomes como Stephen King, Edgar Allan Poe, H.P Lovecraft, entre outros farão a sua diversão. Além dos grandes estrangeiros, não nos esqueçamos jamais dos brasileiros como Alexandre Callari e Rodrigo de Oliveira – estes inclusive parceiros do Zumbicast e com obras magistrais sobre o temido Apocalipse Zumbi.

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Não quero finalizar, porém, sem antes fazer uma propaganda do livro “Apocalipse Z”.
Não, não tem nada a ver com o comentado “Guerra Mundial Z”.
Este é outro trabalho que trata de zumbis. O livro desenvolve muito bem, desde o começo, um personagem que é blogueiro e comenta dia a dia uma estranha notícia que surgiu num ataque militar da Rússia que acabou liberando, de alguma instalação militar, um curioso vírus que afeta as pessoas e parece deixá-las num estado de raiva extrema. Já sacaram não é? Apocalipse na área. Procure já sobre esse livro, que possui leitura fácil e super divertida. O nome do autor é o espanhol Manel Loureiro. Aparentemente os espanhóis também sabem de terror.
Recomendação efusiva.

Geminiano em todos os aspectos, amante do suspense e mistério em todas as formas do entretenimento. Como um bom fã de Stephen King levo em meu coração as palavras de um pistoleiro a procura do seu Katet. "Eu não mato com a arma; Aquele que mata com a arma esqueceu o rosto do pai. Mato com o coração."