Muito mais que apenas um “mestre do terror” – este homem inventou uma fascinante vertente do gênero e reinventou uma antiga criatura para transforma-la em algo aterrorizante como poucas. Feliz aniversário, Sr. George Romero!

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Hoje uma mídia especializada em terror na cultura pop, o Zumbicast começou lá atrás como um singelo podcast e fanpage que falava somente sobre The Walking Dead e, ocasionalmente, outras obras baseadas no temível Apocalipse Zumbi. Mas não fosse por um cineasta visionário específico, zumbis como os que vemos hoje em TWD talvez nem existissem.

Sim – se hoje você detona em games como Resident Evil e Zombicide, perde a respiração com filmes do calibre de Extermínio e Guerra Mundial Z e não desgruda da leitura ao apanhar um livro como Vale dos Mortos e Apocalipse Zumbi – Inferno na Terra – você tem MUITO a agradecer à este que hoje é um velhinho, mas que em 1968 detonou geral e chocou profundamente o cinema norte-americano (e, posteriormente, o mundial) com “Night of the Living Dead”.

Senhoras e senhores, George Romero – o Pai do Apocalipse Zumbi!

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Desde sempre inclinado ao cinema, o franzino nova-iorquino nascido em 1940 mudou-se de sua terra natal para Pittsburgh para cursar a Universidade de Carnegie Mellon. Formou-se em 1960 e já foi atrás de sua vocação: fundou com amigos uma pequena produtora lá mesmo, em Pittsburgh, para juntos filmarem curtas, vídeos publicitários, institucionais e toda a sorte de outros pequenos trabalhos na área afim de pagarem suas contas e alimentarem seus sonhos. Pois o tempo passou e a chamada “Image Ten” cresceu, acumulando uma pequena fortuna (em meados de 1960, US$114 mil era algo a ser seriamente considerado) – grana esta que resolveram investir em um longa-metragem de terror.

Agora advinha quem foi o escolhido da marca para dirigir a ousada empreitada?

George Andrew Romero não deixaria passar esta oportunidade para empregar todas as ideias que tivera na juventude nascidas em suas paixões – os quadrinhos de terror da EC Comics e o clássico literário “Eu Sou a Lenda”, de Richard Matheson (lançado em 1954) – em uma macabra e aflitiva história para as telonas. Principalmente do livro de Matheson, Romero retirou a ideia de um possível “Fim dos Tempos” onde a humanidade transforma-se em uma horda de monstros que caçam e matam os sobreviventes da epidemia que os consumiu – mas achou que vampiros não eram suficientemente aterradores.

Daí, zumbis!

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Lançado oficialmente em 1968, “A Noite dos Mortos-Vivos” revoltou e encantou plateias. Zumbis sempre existiram no folclore haitiano e em histórias medievais fantásticas (Conan que o diga), mas jamais antes como os de Romero: estes levantavam-se de suas tumbas, alguns já em estado de putrefação, cambaleantes, irracionais e sedentos por devorarem mais e mais carne humana. Suas vítimas ou eram brutalmente despedaçadas vivas ou sobreviviam feridas (normalmente por mordidas), eventualmente morrendo não muito depois do ataque devido à infecção causada pelas criaturas. Pobres infelizes em seguida retornando como parte da horda de monstros.

Com a utilização de transmissões de TV e rádio fictícias (gravadas com a colaboração de repórteres profissionais de Pittsburgh na época) que anunciavam o fenômeno dos mortos-vivos aos personagens da trama, além de cenas onde os zumbificados devoravam avidamente pedaços de carne tidos como membros humanos, a atmosfera passada pelo filme era sufocante, desesperadora e desoladora como jamais a audiência daquela época antes vira.

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Estava então criado o mito: odiando ou amando este que futuramente tornar-se-ia um clássico do terror, George Romero fincava no cinema uma bandeira imponente – a do criador de um estilo próprio, ao mesmo tempo que a de um visionário que acabara de levar o gênero do terror à um novo patamar angustiante e apocalíptico.

Claro que ainda há muito mais para se falar sobre este grandioso filme (final trágico, referências que ajudavam a derrubar o racismo da época, crianças desavisadas à chorarem descontroladamente em salas de cinema e por ai vai) mas pode esperar matéria especial sobre a obra no futuro. Para hoje o que temos é uma homenagem muito especial à George Romero, que na última terça-feira, dia 4 de fevereiro, completou 74 anos.

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Nossos parabéns ao grande mestre necromântico do cinema que trouxe de volta à semi-vida uma “safra” única e aterrorizante de zumbis. O Zumbicast reverencia o “Pai do Apocalipse Zumbi” e lhe deseja (ainda que atrasado oficialmente) um feliz aniversário!

Se o seu inglês anda perfumado, então dá só uma olhada no que o próprio “Zombie Creator” teve à dizer sobre seu primeiro rebento morto-vivo e o que hoje vê ao lembrar-se dele nesta divertida entrevista:

Confira agora uma galeria de trailers de sua obra máxima: a saga “Of the Dead”. Não nos esquecendo que já temos um especial sobre o “Dia dos Mortos-Vivos” e a participação do mesmo em nossa “Batalha do Mês: Abrigos” – confira à este material agora mesmo clicando nos respectivos links.

Night of the Living Dead (A Noite dos Mortos-Vivos) – 1968

Dawn of the Dead (O Despertar dos Mortos) – 1978

 Day of the Dead (O Dia dos Mortos-Vivos) – 1985

 Land of the Dead (Terra dos Mortos) – 2005

 Diary of the Dead (Diário dos Mortos) – 2007

 Survival of the Dead (A Ilha dos Mortos) – 2009

Fonte de algumas informações usadas neste especial

Geminiano em todos os aspectos, amante do suspense e mistério em todas as formas do entretenimento. Como um bom fã de Stephen King levo em meu coração as palavras de um pistoleiro a procura do seu Katet. "Eu não mato com a arma; Aquele que mata com a arma esqueceu o rosto do pai. Mato com o coração."